2005/06/07

Lista Telefónica da Vila

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No “Noticias de Ourém” a 01/09/1946

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No “Noticias de Ourém” a 20/12/1953

“Moinho de Vento”

Vila Nova de Ourém, 8 de Novembro de 1964.

A Comissão Regional de Tu­rismo adquiriu há tempos – e muito de louvar é a sua deci­são - o moinho que se alcan­dora no cabeço que, a norte da Vila, lhe tomou o nome.

Evitou-se, desse modo, a sua venda a entidade que o menosprezasse ou demolisse, fazendo assim desaparecer a sua silhue­ta de gracioso monumento rús­tico, tão característico da pai­sagem portuguesa.

O "Moinho do Vento", que todos conhecemos e estimamos, pois todos ou quase todos, em rapazes, ali fizemos frequentes digressões e diabruras, e aspirámos a pureza dos ares, e bem o ex-libris de Vila Nova, como o Castelo o é de Vila Velha – salvas, é claro, as devidas pro­porções.

A sua aquisição obedeceu certamente senão a fins turísti­cos imediatos, pelo menos à sua futura adaptação a casa de chá ou semelhante, para re­pouso e miradouro de quem ascendesse àquelas alturas – duma riqueza panorâmica que não fica muito aquém da que é título de orgulho da antiga Vila.

Mas parece ter caldo no esquecimento a velha construção, pois segundo nos vieram dizer, as portas caíram e o telhado ameaça ruir, não falando já das velas e sua possante armadura, de há muito desaparecidas.

Oxalá providências sejam tomadas, para que não tenhamos em breve de lamentar, olhando o local: “...e tudo o vento levou...”

No “Noticias de Ourém” a 08/11/1964

Secção Desportiva

Vila Nova de Ourém, 18 de Outubro de 1985.

Vilarense,0
C. A. Oureense, 2

Jogo disputado no campo do Operário em Vilar dos Prazeres.

Sob o comando do árbitro José Estríga auxiliado pelos fiscais de linha C. Cu­nha e F. Neves, as equipas alinharam da seguinte forma:

VILARENSE: - Arrojado, João Fre­derico, F. Carlos e Beto; José Alberto, Pina e Vieira; Arnaldo, Toni e Chico. Su­plentes: João, Paulito, Real, Rui e Sebastião.

OUREENSE: — Ramalho; Espanhol, Tó, Rui Fortes e Dinis; Jorge S., Tomé e César; Vareta, Lili e Carlitos. Suplentes: Chalana, Jorge e Picoto.

Substituições: Por parte do Vilarense, entraram Real (aos 45 m) e Paulito (aos 75 m) para os lugares de Francisco Car­los e Chico respectivamente. Por parte do Atlético, entraram Chalana e Jorge (aos 45m) para os lugares de Carlitos e Lili respectivamente.

Os desafios entre estas duas equipas, são sempre de resultado imprevisível; tra­ta-se de um derby local, razão pela qual não nos surpreendeu a numerosa assistência que acorreu ao campo do Operá­rio.

Foi, na verdade, curioso assistir a este derby que teve duas partes completamente distintas. Na primeira, assistiu-se a um futebol aberto com ambas as equipas a tentarem aproximar-se da baliza contrária, sendo assim que, aos doze mi­nutos, Carlitos concretizou da melhor forma uma boa jogada de combinação, obtendo o primeiro golo da partida para o Atlético. Este golo pareceu-nos ter sido obtido de forma irregular (fora de jogo), mas o juiz da partida, bem colocado, não teve dúvidas em validá-lo.

A parada e resposta continuou a ser a tónica do jogo; aos vinte e cinco minu­tos, na marcação de um livre, César obrigava o guarda-redes do Vilarense a efec­tuar uma magnífica defesa, mas no minuto seguinte e após uma boa jogada de Arnaldo o Vilarense poderia ter chegado ao empate, mas a bola passava ao lado do poste direito da baliza defendida por Ramalho. Nesta altura e equipa local evidenciava um certo ascendente e quando se esgotaram os primeiros 45 minutos de jogo, pelo que se passou no terreno, merecia ter ido para o intervalo com a partida empatada.

No início da segunda parte, assistiu-se a uma forte reacção do Vilarense, como era de esperar, na tentativa de marcar o golo da igualdade. Entretanto o Atlético, com uma defesa bem escalonada e com determinação resolvia todas as situações, ao mesmo tempo que lançava perigosos contra-ataques. E foi na sequência dum destes contra-ataques que surgiu o segundo golo do Atlético; Frederico fez falta dentro da grande área sobre Chalana e o árbitro apontou a marca da grande penalidade. Chamado a marear o castigo máximo, Rui fortes não perdoou.

Com o resultado em 2-0, o jogo ainda que continuando no mesmo estilo, tornou-se um pouco incaracterístico.

No cômputo dos noventa minutos o resultado aceita-se perfeitamente, premian­do a melhor equipa no terreno - o Atlé­tico - que pelas oportunidades criadas não escandalizaria muito se tivesse saído de Vilar dos Prazeres com um resultado histórico.

Salientaram-se neste derby: Pela equi­pa do Vilarense, Pina, João e Vieira. Pe­la equipa do Atlético, Tó, Rui Fortes, Carlitos e Tomé. Arbitragem: bastante irregular.

Outros Resultados
Seiça, 0 – Matrena, 2
Alferrarede, 2 – Vasco da Gama, 0
No “Noticias de Ourém” a 18/10/1985

2005/06/06

Café-Restaurante Avenida

Vila Nova de Ourém, 5 de Abril de 1953.
Acontecimento Local
A abertura, no passado dia 1, do novo Café-Restaurante situado na Avenida de que foi buscar a designação, constituiu um acontecimento local que plenamente se justifica se considerarmos que se trata de um estabelecimento novo no género de serviço misto de café e restaurante, e que as suas decorações e instalação são de um cunho regional muito curioso e interessante.

Tem jus ao reconhecimento dos ourienses, os proprietários da nova casa, que dotaram a Vila de um centro de cavaco que reúne condições de comodidade e de beleza nada vulgares em estabelecimentos desta categoria e que além disso se apresenta como salão-restaurante com esmerado serviço, e é óptimo factor, portanto, de turismo de que a terra bem precisava.

Deu especial nota de elegância e distinção a abertura do café, a assistência de muitas senhoras que certamente atraídas pelo bom gosto e comodidade do local se habituarão a dar-lhe a nota gentil da sua presença.

No “Noticias de Ourém” a 05/04/1953

Um interessante aspecto do “Avenida”, o novo e magnífico Café-Restaurante da terra. No topo, a dominar a sala, vê-se o brasão ouriense, artisticamente modelado. À direita da gravura, o mapa do Concelho.

No “Noticias de Ourém” a 17/05/1953

Damos hoje outro belo aspecto do “Avenida”: a entrada do acolhedor recanto destinado a restaurante, a que dá acesso o decorativo e bem lançado arco que a gravura mostra.

No “Noticias de Ourém” a 24/05/1953

Outro aspecto do vasto e elegante salão do Café-Restaurante Avenida, desta Vila.

No “Noticias de Ourém” a 31/05/1953

Damos hoje outro bonito aspecto do Café-Restaurante Avenida, o elegante estabelecimento que honra Ourém.

No “Noticias de Ourém” a 07/06/1953

2005/06/05

Prospecto


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2005/06/03

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Vila Nova de Ourém, 10 de Agosto de 1933.


No “Noticias de Ourém” a 10/08/1933

Ourienses em Ourém

Vila Nova de Ourém, 2 de Setembro de 1956.

Há cerca de um ano escrevi neste jornal um artigo a que dei o cabeçalho “Internacionais e Olímpicos em Ourém”. Era o Sport Lisboa a Saudade que nos visitava com toda uma plêiade de atletas famosos, de grandes jogadores do passado.

Agora não são internacionais, nem olímpicos, nem jogadores de futebol, são ourienses animados por um sopro de boa vontade. Agora não se vai ouvir o grito: “aquele é ó Espírito Santo”; “olha o Xavier e o Gaspar Pinto”; “aquele além que fintou quatro é o Albino”, mas ouvir-se-á: “aquele é o José Afonso”; “olha o médio que é do Vale Travesso”; “e aquele que esta a dar barraca é do Zambujal e aqueloutro de óculos é o Armelim do Olival”; “coitadinhos, jogam ainda menos que os de cá”, etc., etc.

O tempo agora parece que custa mais a passar e acontece-nos o mesmo que aos internacionais de futebol que estão semanas de estágio a pensar, em 90 minutos. Nós estamos também semanas que parecem meses a pensar num dia que parecerá uma hora.

Depois do futebol virá a gincana e de Lisboa os volantes são quase todos estreantes. Mais uma prova de confraternização, de pura confraternização, mas que terá, certamente muito interesse, já pela pessoa que a organiza, já pelos “espadas”, que concorrerão.

Sejam quais forem os resultados, se tudo tiver corrido bem, a Secção Desportiva e Recreativa da Casa de Ourém voltará para Lisboa satisfeita por se sentir útil à causa do regionalismo.

O programa estabelecido tem a seguinte sequencia:

Às 10 e 30: chegada da comitiva ida de Lisboa;
Às 11: jogo no Lagarinho entre a Secção Desportiva e Recreativa da Casa de Ourém e o Clube Atlético Ouriense; depois almoço de confraternização e às 16 gincana de automóveis.

Como último desejo o de que esse dia 9, que nos parecerá uma hora, fique para sempre na saudade dos ourienses.
S.R.
No “Noticias de Ourém” a 02/09/1956

2005/06/02

O Parque da Vila

Vila Nova de Ourém, 18 de Março de 1962.

A Junta Regional de Turismo, que tem a sua sede em Leiria e na qual o concelho de Vila Nova de Ourém se encontra integrado, tomou sobre si o encargo do arranjo do Parque da Vila, pelo que já não podemos ter dúvidas de que este importante melhoramento vai ser, dentro em pouco, um facto.

Entretanto os Serviços Técnicos da Câmara já ali plantaram 3.000 árvores e numerosos arbustos.

Impõe-se que o público respeite o trabalho já ali realizado com­ tanto esforço, usufruindo os benefícios da vasta área posta à sua disposição, não danificando e defendendo até o logradouro que vai ser regalo de novos e velhos.

No “Noticias de Ourém” a 18/03/1962

O acesso ao Castelo

Vila Nova de Ourém, 24 de Fevereiro de 1963.

A junta de Freguesia de Ourém mandou elaborar o projecto da construção de uma estrada de características municipais, que ligará aquela antiga vila à estrada nacional 356, que de Fátima segue para Vila Nova de Ourém, junto ao cruzamento da estrada da Atouguia.

Ao que parece esse projecto, da autoria de técnico competente, obedece não só à finalidade de servir o interesse geral, mas especialmente o turismo, pois a nova via atravessando uma região que a História enche de pergaminhos, desvendará horizontes dos mais lindos e vastos e facilitará o acesso ao Castelo de Ourém dos inúmeros visitantes e peregrinos de Fátima.

Esta obra está orçada em cerca de 1.400 contos. A Comissão Regional de Turismo certamente lhe prestará a sua melhor colaboração e interesse.

No “Noticias de Ourém” a 24/02/1963

2005/06/01

Homenagem ao Senhor Prof. António de Oliveira


Vila Nova de Ourém, 25 de Junho de 1950.

Quase meio século de magistério
O Senhor Professor António de Oliveira recebeu, no passado dia 10 em Lisboa na Sala Portugal da Sociedade Geografia, em sessão pública, um justo prémio pelo seu longo e proficiente labor ao serviço da causa sagrada da instrução. Depois de 45 anos de magistério ininterrupto, na árdua tarefa de iluminar cérebros pequeninos de moldar almas para a grande peleja da vida, o bom mestre teve alfim merecido galardão do seu saber, operosidade e dedicação profissional. Das mãos do mais alto Magistrado da Nação, recebeu as insígnias que são o testemunho do muito apreço por essas qualidades.

Brilha-lhe, pois, desde esse dia, no peito largo e generoso de trabalhador esforçado, uma condecoração de alto valor – a Veneranda Ordem da Instrução Pública – em cujo grau de cavaleiro foi solenemente investido, a par de outros colegas, que, em reduzido número, rigorosamente escolhido, ali foram também homenageados, uma solenidade de rara grandeza e emoção.

No ano já longínquo de 1899, há cinquenta e um ano pois, concluído brilhantemente o curso na Escola Normal de Lisboa, o então jovem pedagogo, chegou a Vila Nova de Ourém. O velho edifício Conde Ferreira ouviu-lhe as primeiras lições e, à parte pequeno interregno durante o qual leccionou numa velha casa portuguesa, hoje remoçada, ali para os lados do Regato, toda a sua vida escolar decorreu naquele no vetusto edifício, donde só saiu depois de aposentado.

Durante quase meio século por ali passaram, sob a sua proficiente direcção pedagógica, centenas e centenas de rapazes que depois foram ocupar, na vida, funções de médicos, advogados, farmacêuticos, professores, isto de entre os que seguiram estudos superiores ou médios, pois outros há que são hoje também figuras de relevo no comércio, na indústria, na agricultura. Do seu primeiro curso nesta escola fizeram parte, por exemplo, o hoje desembargador da Relação de Lisboa, Doutor Sousa Pinto e o Engenheiro Director da Circunscrição Florestal de Coimbra, Augusto Barjona de Freitas.

Se Ourém não viu nascer o professor Oliveira, pois essa honra cabe, a Sesimbra, assistiu ele ao desabrochar para a vida de quase todos os que hoje formam a população da Vila e de muitos outros dispersos por longes terras.

Por isso ouriense se considera e como tal o reputamos, tanto mais que do coração sabemos de há muito que o é.

Não só como professor, Ourém lhe deve serviços inestimáveis; também corno pessoa de escol, para o elenco dirigente de órgãos administrativos locais, a sua colaboração tem sido várias vezes solicitada e se fez sentir, marcando sempre criteriosamente e com dignidade o seu lugar,

De uma austeridade doseada com bondade mas amigo dos seus alunos, interessava-se por todas as particularidades da sua vida e sobretudo pelos seus triunfos e reveses, que depois os acompanhavam pela existência fora, exultando com aqueles e compungindo-se com estes. Criou-se assim justamente uma auréola de amizade e de prestígio que as sucessivas gerações que ensinou e educou fizeram adensar à sua volta.

Nas aulas fazia-se respeitar e estimar ao mesmo tempo. Sabia ministrar disciplina, sem amordaçar as naturais explosões do sangue moço. Para tudo havia tempo – dizia.

Nenhum dos seus antigos alunos recorda, hoje com azedume a palmatoada da praxe dada sempre com propriedade, nem o cachação brando e amigo com que afagava algum mais endiabrado e fugidio que passava ao alcance da mão. Todos relembram com saudades e gratidão as suas lições de mestre competente e dedicado, a paternal solicitude e bonomia com que, os atendia. Se algum, mais mimoso, ensaiava berreiro ao contacto da palmatória justiceira, logo o animava dizendo: “Não te apoquentes rapaz, tens a pele muito fina, por isso repassou tão depressa”. E o miúdo acabava por sorrir.

Se o barulho ia a mais pelas bancadas, então batia duas, reguadas fortes na beira da secretária e impunha, irónico; “Só quero que me deixem ouvir a pêndula do relógio”. E se, esquecida, pouco depois, a intimativa o ruído voltava a imperar na sala, insistia, sorrindo: “Então vocês não me deixam ouvir a pêndula do relógio? É só por cinco minutos…” E o silêncio restabelecia-se finalmente.

O seu espírito de justiça ressalta no seguinte episódio: Um dia, depois de ter dito ao seu auditório infantil que queria silêncio, que “não desejava ouvir outra coisa que não fosse a pêndula do relógio”, sentou-se à secretária e embrenhou-se em qualquer serviço que reclamava a sua melhor atenção. O silêncio fez-se, de facto. O tic tac sincrónico do velho relógio pontificava na vasta sala. O mestre sentado, à secretária, absorvera-se no trabalho. A rapaziada estudava, ou fingia. Nisto, um deles, menino bem comportado e por sinal de boas famílias, levanta-se e apontando para um condiscípulo que próximo cochichava com outro, acusou: “Senhor Oliveira, Fulano está a falar.” O bom professor, despertado assim bruscamente do seu labor, fitou o repreensivo e pronto sentenciou: “Pois quem eu ouvi toste tu e não ele. Anda cá.” E aplicou ao acusador o castigo que havia cominado para a eventualidade da infracção.

Tudo isto nos veio à memória ao termos conhecimento da homenagem que o Senhor Professor Oliveira recebera do Governo da Nação. Recordando alguns passos da sua vida de mestre exemplar e de homem de bem, associamo-nos do mais íntimo, embora mal-alinhavadamente, a tão justa consagração. E connosco está – sabemo-lo – toda a falange imensa dos que dele receberam proveitosos ensinamentos. Connosco está, afinal... Vila Nova de Ourém.

No “Noticias de Ourém” a 25/06/1950