2005/04/27

Hóquei C.A.O. - 1959

Hóquei C.A.O. - 1959

Secção Desportiva

Vila Nova de Ourém, 7 de Julho de 1957.

Óquei em patins

Clube Atlético Ouriense – 3
Clube Atlético Campo de Ourique – 4

Apesar da noite de 29 não estar francamente boa, o campo de patinagem do Atlético registou uma enchente de espectadores que correspondendo ao esforço dos directores do clube local em trazer até nós uma equipa lisboeta, se encontrava desejosa de ver o comportamento da equipa provinciana em presença duma equipa com o seu nome ligado ao desporto nacional.

Sob arbitragem do Sr. Januário Cabrita, as equipas alinharam:

Campo de Ourique:
Matos (na 2.ª parte Ferreira), Mário Rodrigues, Bernardino (3), Rebelo, Barreto (1) e Morais.
Atlético: Barata (José António), Abel Vieira, Rui Costa, Raul (3), Armando e António Costa.

Inicialmente a equipa do Atlético Ouriense mostrou nervosismo sobre tudo depois de Barata ter sido batido infantilmente por 2 vezes, sem culpas nos dois restantes golos, sendo substituído a meia da primeira parte por José António que logo dá confiança à equipa que a pouco e pouco vai organizando o seu jogo.

O final da primeira parte chega com o Campo de Ourique a ganhar por quatro bolas a duas.

Na segunda parte, confiada no seu guarda-redes, o Atlético lança-se ao ataque em jogadas bem delineadas que provocam aplausos do público e só com manifesta falta de sorte consegue marcar novamente um golo. Registamos um remate de Rui Costa à trave e a tentativa de Raul em driblar o guarda redes.

Apesar das tentativas e do esforço dispendido, o Campo de Ourique não conseguiu alterar o resultado e por quatro bolas a três terminou o encontro que deixou todos bem impressionados.

No “Noticias de Ourém” a 07/07/1957

2005/04/19

Manifestação Democrata em Vila Nova de Ourém

Vila Nova de Ourém, 4 de Maio de 1974.

Realizou-se no pretérito dia 1 de Maio, Feriado Nacional e Dia do Operariado, vibrante manifestação de incondicional apoio ao Movimento das Forças Armadas e à Junta de Salvação Nacional, numa organização da Comissão Democrática local.

O acto, que teve lugar nos jardins fronteiro aos Paços do Concelho, iniciou-se com a entoação do Hino Nacional que foi cantado em uníssono por todo o Povo que ali ocorreu.

Findo este, o POVO, numa espontânea manifestação de Patriotismo, fez-se ouvir naquelas máximas que já vão sendo comuns em todas as bocas: “O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO”, “VIVA A DEMOCRACIA”, ”ABAIXO O FASCISMO”, ”VIVA PORTUGAL”, etc.

Aspecto geral da manifestação realizada
Seguiram-se no uso da palavra os Senhores Professor Pereirinha de Morais, Tenente-Coronel José Rodrigues, Dr. Sérgio Ribeiro, Ramiro Arquimedes, Aguinaldo Oliveira Santos, Artur Pereira, Dr. Rui Vieira, D. Maria Helena Santos, Sepúlveda Ribeiro e Joaquim Ribeiro.

Todos os oradores se congratularam com o momento alto que a Pátria atravessa, manifestando o seu reconhecimento às gloriosas Forças Armadas e à Junta de Salvação Nacional, apelando, simultaneamente, para que TODOS, sem excepção, se compenetrem do momento ímpar, mas assaz difícil, que a Nação está vivendo. Só com todos – disseram ainda – é possível levantar o bom nome de Portugal do calamitoso caos em que há cerca de um século, estava mergulhado. E novamente “A PORTUGUESA” foi entoada!

Com a euforia própria do momento, terminou a manifestação em apoteótico cortejo pelas principais ruas da Vila, nele se incorporando, além dos milhares de pessoas que entusiasticamente ostentavam cartazes alusivos ao movimento, as Bandas 1.º de Dezembro de Vilar dos Prazeres e Filarmónica Ouriense.

Resta-nos acrescentar o civismo manifestado por toda a população, que é, aliás, apanágio do Povo Português, e muito especialmente dos Ourienses.

N.R. – pelo democrata Sr. Aguinaldo de Oliveira Santos, foi dado conhecimento da intenção de ser proposto para a presidência da Câmara o Sr. Tenente Coronel José dos Reis Rodrigues, notícia que o povo recebeu com estrondosa ovação.

No “Noticias de Ourém” a 04/05/1974

Hoje sim: viva PORTUGAL!

Vila Nova de Ourém, 4 de Maio de 1974.

Enquanto o fascismo governava o país, os seus dirigentes serviam-se do nome de PORTUGAL para designar aqueles a quem serviam. Era uma piedosa mentira, tão piedosa que para a manter era necessária uma máquina de terror que roubou todos os direitos às massas. Hoje que PORTUGAL é um país livre, onde o povo tem finalmente possibilidade de se consciencializar para construir o melhor futuro é necessário destruir a imagem que o passado nos deixou.

As Forças Armadas unidas às massas populares cumpriram a sua missão primeira e a mais importante – era necessário destruir o fascismo e o poder daqueles que serviam do nome do país para legitimar os seus interesses. Agora trata-se de resolver as imensas contradições que o fascismo fez desenvolver e, dada a missão espinhosa que esse povo magnífico vai enfrentar na construção da sua liberdade total, é que pela primeira vez se torna verdadeiro gritar: VIVA PORTUGAL! VIVA O POVO PORTUGUÊS! VIVAM AS FORÇAS ARMADAS!

Luis Vieira

No “Noticias de Ourém” a 04/05/1974

2005/04/12

Dr. António Justiniano da Luz Preto

Vila Nova de Ourém, 9 de Junho de 1935.


Dr. António Justiniano da Luz Preto
BODAS DE PRATA DE UMA FORMATURA
Passa amanhã, dia 10 de Junho, o vigésimo quinto aniversário da formatura em medicina do Sr. Dr. António Justiniano da Luz Preto.
Natural de Cezimbra, onde passou os doces anos da sua meninice, evidenciou logo ao mergulhar no pélago dum exaustivo curso, excepcionais dotes de inteligência e trabalho, decorrendo toda a sua vida escolar entre louros apoteóticos – quer nas bancadas austeras do Colégio S. Fiel, quer ao passar desenvolto pelas malhas apertadas da Politécnica, ou ainda, e finalmente, ao escalar os escorregadios alcantis que pejam e atravancam o laborioso curso da velha e gloriosa Escola Médica – Cirúrgica de Lisboa, onde obteve as mais invejáveis classificações – dispensadas aos seus méritos com prodigalidade pelos mestres severos, de ordinário bem avaros na disseminação de tais honrarias.
E foi dum tal brilhantismo o seu curriculum vitae escolar, que, passados cinco lustros, ainda perdura sem sombra de esmaecimento na memória dos condiscípulos e professores que com ele privaram, o sulco de admiração daí advindo.
Terminado o seu curso, conservou-se o novel e talentoso médico durante algum tempo em serviços nos hospitais civis de Lisboa, exercendo também o honroso cargo de assistente do sábio luminar da ciência portuguesa, Prof. Francisco Gentil, com o que consolidou e ampliou os abundantes conhecimentos adquiridos, até que, abertas, nesta vila, as vagas de facultativo municipal e de subdelegado de saúde, pela morte do Dr. Barjona de Freitas, a elas concorreu com êxito, consagrando, desde então, o melhor do seu vasto saber na luta sacro santa pela conservação das vidas que aqui lhe foram confiadas, luta serena e conscienciosa dum espírito probo e sabedor – que apenas foi interrompida entre nós, para a ir continuar nas terras inóspitas do continente africano, quando durante o cataclismo deflagrado em 1914, a voz da Pátria o chamou ao cumprimento desse dever.
Mas o Sr. Dr. Luz Preto não é só um médico muito distinto emoldurado por um belíssimo carácter. Também nas horas vagas consentidas com avareza pelos seus afazeres profissionais, cultiva com aprimorado gosto as belas-letras, incidindo por vezes nas colunas deste jornal, com uma sobriedade e clareza encantadoras os reflexos da solidez da sua cultura enciclopédica.
Os amigos e admiradores do Sr. Dr. Luz Preto – que os tem em avultado número e de fina têmpera – resolveram comemorar com um banquete de homenagem a data célebre que amanhã engrinaldará a vida exemplar deste egrégio cidadão; o nosso jornal manifesta-lhe aqui, o melhor que sabe e pode, o culto que professa pelas suas excelsas qualidades. Sabemos de antemão que à sua modéstia tudo isto parecerá incómodo e até excessivo, mas que ela nos perdoe, porque à nossa profunda admiração pelo dotes invulgares que exornam o homem de ciência e de carácter, bem como à gratidão ilimitada que transborda dos nosso corações, tudo isto se afigura bem pouco, para quem tanto merece!
No “Noticias de Ourém” a 09/06/1935