2005/09/15

Carta aberta a José Galamba

Querido Amigo,

Você sabe bem quanto eu gosto do nosso jornal, como ele me está no sangue. E “sei” que, já perguntou a si próprio – “Teria o Andrade esquecido, nas águas verdes do Atlântico, as páginas velhinhas do “Noticias de Ourém?”

É muito legítima tal dúvida, tão longa tem sido a minha ausência. Digo-lhe mais: se alguém tem o direito de fazer semelhante pergunta, o meu querido amigo possui-o mais que ninguém, pois eu bem tenho constatado a sua insistência na luta pelos ideais ourienses – ou melhor, por uma Ourém ideal – a sua presença constante, inesgotável nas colunas do “Notícias”.

Mas o meu amigo, intimamente, tem a certeza de que esse jornal pequenino, (que poderia ser grande se algumas pessoas quisessem), esse amor – da minha adolescência, será sempre o “meu” jornal. Como eu sei, aliás, que ele é... – o “seu” jornal.

Quando cheguei aos Açores, maravilhado ainda pela beleza edénica das paisagens da Madeira, peguei na caneta e escrevi um longo artigo, para o “Notícias de Ourém”, tentando narrar os encantos da ilha, que visitei durante um dia inteiro. Não tive oportunidade de enviá-lo imediatamente e... perdi-o.

Sabia-o de cor quase na íntegra, mas como nunca gosto de nada do que escrevo, era absolutamente incapaz de rabiscá-lo de novo. Admito que devia ser tão mau, que o destino não quis que fosse publicado!...

Mas, lendo o seu estupendo artigo, de 17 de Junho, “Um homem modesto”, resolvi escrever-lhe, e para matar saudades, escolhi as páginas do “Noticias de Ourém” para tal.

Venho dizer-lhe o, que penso de “esse homem modesto”. E posso traçá-lo em duas linhas: é o ouriense cuja figura eu escolheria para erguer uma estátua na principal praça de Ourém que personificasse o indivíduo que deu à terra onde nasceu o melhor, de si próprio, do seu extraordinário espírito criador, da sua invulgar capacidade de trabalho, da sua eterna juventude, militando sempre como um verdadeiro Soldado Desconhecido, escondendo-se humildemente num anonimato dignificante.

Lembro-me bem da minha infância, em que o TONÁ aparecia aos olhos dos miúdos da minha idade como um ídolo, que, identificávamos com os heróis do cinema. Todos nós, garotos, tínhamos um sonho secreto, que por vezes manifestávamos em conversas sobre os nossos anseios futuros, ser como o TONÁ!

Ele era para nós o melhor jogador de basquete, o melhor bombeiro, o melhor músico, o melhor futebolista, o melhor decorador, o melhor electricista, o homem mais forte do mundo!

Recordo-me ainda de o TONÁ aparecer com a sua boina, ornada com uma enorme – águia dourada: valia para a garotada mais, muito mais, que o próprio Montgomery, que conhecíamos através das revistas do após guerra.

Só mais tarde comecei compreender todo o esforço desse “homem honesto”, o muito que ele deu de si próprio a Vila Nova de Ourém.

Creio mesmo, (não é o meu amigo desta opinião?), que nos tempos miseravelmente egoístas que vivemos, um homem como o TONÁ que acorre a todas as solicitações sem qualquer mira de recompensa, que pensa primeiro nos outros que em si próprio, que opera maravilhas de dinamismo e juventude nos seus cinquenta anos calmos, leais e honestos, um homem como o TONÁ – dizia eu – está deslocado deste mundo!

Considero-o um homem de excepção e, como tal, Ourém deve orgulhar-se dele!

Ah, que se a instrução neste país estivesse ao alcance de todos e não só dos que tem possibilidades económicas para tal! Que grande valor não teríamos no António Afonso!

Assim estiolam vocações, verdadeiras inteligências, em homens com a sua capacidade de trabalho, porque as portas dos Liceus e Faculdades lhe são pura e simplesmente, vedadas!

Senhor Galamba: não sei se a ideia de homenagear publicamente o António Afonso partiu de si. Mas, de qualquer modo, e sem desmerecer a sua oportunidade valorativa, ela devia ter sido posta em prática há muito mais tempo. Contudo, qualquer altura é boa para dizer ao TONAÁ: “Você é um homem que merece a gratidão de uma população inteira! E se a nossa sociedade não tivesse tão miserável e burguesa organização, você já teria, por exemplo, o seu nome inscrito numa rua da vila: ter-lhe-iam prestado uma homenagem que, por justa, seria mais um elemento a mostrar lhe que foi útil a sua passagem pela vida!”

Não poderei estar presente na festa de homenagem a António Afonso, mas quero pedir-lhe um favor, querido amigo: diga a esse homem ilustre que no dia 1 de Julho eu “estarei” a seu lado, para abraçá-lo e dizer-lhe sinceramente:

- “Orgulhe-se, TONÁ que bem merece esta homenagem!”

Receba, querido amigo, os cumprimentos e a admiração sincera do

Flores de Andrade
Ponta Delgada, Açores, 20/Junho/1962.

R. de R.
Pedimos licença para esclarecer uma passagem do artigo do nosso querido amigo Flores de Andrade, informando que a Comissão promotora desta homenagem é constituída pelos srs. Aguinaldo de Oliveira Santos, Rev.º Pároco Henrique Fernandes, Dr. Amândio Rodrigues, José de Sousa Simões, Alfredo de Sousa Simões e José Galamba.

No “Noticias de Ourém” a 01/07/1962

2005/09/14

Uma nova e bela rua em projecto

No plano de urbanização de Vila Nova do Ourém está previsto o prolongamento da Rua do Regato, desde a pote dos Cónegos até à Avenida de D. Nuno Álvares Pereira, mesmo em frente da futura grande praça que a norte desta avenida precederá o também futuro edifício dos Paços do Concelho.

Na nossa opinião essa rua projectada ficará uma das mais belas de quantas o urbanista gizou dentro do plano a seu cargo. Pois essa nova artéria está em vias de realização, segundo nos consta, para o que a Câmara está já fazendo as diligências preliminares que lhe tornem possível abri-la no próximo ano.

Vem a propósito, sem que com isto pretendermos qualquer modificação pois somos avessos a alterações toponímicas, reproduzir o que há dias, ouvimos a um amigo:

“Nenhuma rua melhor indicada para ostentar o nome de D. Nuno Álvares Pereira do que a rua que segue para o Regato, ao fundo da qual no largo que deveria chamar-se “do Cruzeiro”, se ergue um modesto mas significativo monumento, filho da piedade e amor fraternal do glorioso português, que foi também conde de Ourém, o 3.º do título.”

Repetimos: não pretendemos com isto qualquer alteração toponímica da artéria que actualmente usa o nome do Herói de Aljubarrota, tanto mais que foi nas colunas do “Notícias de Ourém” que apareceu o alvitre dessa designação, mais tarde oficialmente consagrada; no entanto, não deixamos de considerar como bem fundamentada a sugestão do nosso amigo, que, por isso, aí fica arquivada.

No “Noticias de Ourém” a 10/08/1950.

Toná - Cartão de Jogador

Um extraordinário desportista de 54 anos

UM EXTRAORDINÁRIO DESPORTISTA DE 54 ANOS

DAR O EXEMPLO AOS NOVOS É O QUE ME LEVA A CONTINUAR A JOGAR AFIRMA “TONÁ” QUE É HOMENAGEADO NO DOMINGO EM VILA NOVA DE OURÉM

Com o conhecimento da festa a realizar no próximo domingo a um atleta com mais de 30 anos de actividade, de que demos breve notícia quarta-feira não quisemos deixar de ouvir este extraordinário desportista.

António Pereira Afonso, por todos conhecido por “Toná”, recebeu-nos amavelmente, parecendo no entanto surpreendido por tanto interesse e movimento à sua volta.

- Quando começou a sua carreira desportista, “Toná”?
- Em 1931. Comecei a praticar quando se começou a pensar fazer basquetebol cá na terra. Eu era bombeiro voluntário e com uns camaradas criámos uma secção desportiva, construímos um campo e tabelas e assim começamos. Só em 1934 apareceu a Associação de Basquetebol de Leiria...

- …E com ela os torneios regionais não é verdade? Quantos ganhou e quantas vezes foi seleccionado?
- Fomos campeões regionais duas vezes, julgo que em 1934/1935 e 1935/1936. Fui seleccionado pela selecção de Leiria contra o Ateneu de Lisboa, duas ou três vezes contra Coimbra, diversas vezes contra Santarém, e outras selecções dentro da Associação, a última há dias para jogar contra o campeão regional de Leiria de 1962.

- Dessas selecções, desses campeonatos ganhos de toda a sua tão longa actividade, quer recordar algum facto que lhe agrade recordar?
“Toná” pensou um pouco e revelou-nos este seu recorde pessoal:

- Há um dia especialmente cheio e grato de recordar. Nesse dia deslocou-se a Ourém a colónia dos oureenses residentes em Lisboa e era dia de festa grande. Fui, como músico, receber dois conterrâneos à entrada da vila, integrado na Banda; depois fiz parte do corpo activo dos Bombeiros num exercício de simulacro de incêndio; a seguir fiz um desafio de basquetebol, jogando todo o tempo: ainda aproveitei algum equipamento e desloquei-me de bicicleta para o campo de futebol que ficava a três quilómetros e fiz um jogo a defesa central. À tarde fiz parte do concerto da Banda e à noite fui fazer serviço de bombeiro numa sessão de cinema, por estar escalado para o piquete.

Fizemos uma pausa para descansar um pouco e perguntamos a “Toná”:
- Embora você já tivesse entrado noutros campos, pedia-lhe que, antes de sairmos do basquetebol fizesse um confronto entre o antigo e o moderno.
- No basquetebol antigo, o jogo exigia do atleta rudeza que por vezes era violência. Autênticas batalhas. Valia tudo. Hoje há mais subtileza, suavidade nas jogadas mas… ainda vou pelo antigo – sem as violências claro.

- Quantos castigos, “Toná”?
- Nunca fui castigado mas falta a referência aos louvores que foram pelo menos dois.

- Que tem representado para si o Desporto?

- O Desporto dá-me simplesmente a satisfação de praticar. Sinto-me completamente recompensado de todos os esforços e canseiras quando, entregando-me ao jogo e só ao jogo faço uma boa partida. Nunca recebi um tostão!

- Que outras modalidades praticou?
- Pratiquei ciclismo e atletismo (construiu uma caixa de saltos, sozinho) Pratico note que “pratico” e não pratiquei futebol e basquetebol. Cheguei a comprar uns patins e iniciei-me no hóquei aos 43 anos, mas desisti.

-E que tem feito para haver outros a praticar?
- Sou um exemplo de ser sempre o primeiro e de nunca desanimar. Além disso junto todos os pequenos grupos que existem nas aldeias à volta e lá os vou empurrando. Olhe que ao Olival, a 12 kms, vou de bicicleta treinar um grupo para ver se dali sai alguma coisa. E a Ourém, ao Castelo... A rapaziada sabe que pode contar comigo.

- Mais alguns anitos ou este é o último?

- Estou convencido de que jogarei ainda mais umas épocas, quanto mais não seja para continuar a estimular a malta nova.

- Que representa para si a festa que os seus patrícios e amigos lhe quiseram dedicar?
- Esta festa foi para mim uma grande surpresa que não esperava e sinceramente o que mais esperava dela é o reflexo nos meus dois filhos para que colham agora para mais tarde o exemplo que acima de tudo lhes desejo dar. Um tem 4 anos, outro 8. Sabe? Casei tarde, tem andado devagar o tempo para mim.

E com esta afirmação de juventude terminámos a conversa com este “jovem” nascido em 10 de Junho de 1908 e que há mais de 30 anos é um desportista exemplar. Para quê comentários?

O programa consta de dois jogos de basquetebol entre as “Velha Guarda” de Leiria e de Ourém e Ateneu Desportivo de Leria e o Clube Atlético Ouriense para a taça “António Á”, sendo o elogio do atleta proferido pelo Dr. Sérgio Ribeiro. Ser-lhe-ão lembranças e a entrada será livre, À noite realizar-se-á um jantar de confraternização.

No “Mundo Desportivo” a 29 de Junho de 1962.

2005/09/13

O ciclone

O terrível ciclone que assolou o país, derrubando árvores, destelhando casas, provocando inundações e naufrágios, interrompendo comunicações e causando prejuízos que se não podem avaliar senão aproximadamente, mas que ascendem a muitos e muitos milhares de contos, envolveu igualmente na sua fúria pavorosa o nosso concelho, cujos imensos pinhais e olivais – sua principal riqueza – foram rudemente tratados pela ressaca que a alguns dizimou quase totalmente. Pobres, remediados e ricos, todos sofreram na proporção dos seus haveres. Os próprios que não possuem uma folha verde sentirão o reflexo da catástrofe na sua infalível repercussão económica. Basta dizer que a indústria da resinagem que ocupava no nosso concelho alguns milhares de braços, deixa praticamente de existir por largos anos com o desaparecimento de pinheiros em estado de desenvolvimento que alimentem essa actividade.


A noite de sábado, 15, foi um horror. O bramido dos elementos, uivo gigantesco e arrepiante, durante horas consecutivas atemorizou os menos assustadiços. Telhados que voavam, muros que ruíam, árvores seculares que desabavam, completavam o quadro nunca até aqui observado de destruição e ruína. O colossal eucalipto, pórtico gigantesco que antecede de duas centenas de metros o Cemitério desta Vila, árvore que gerações sucessivas têm admirado e popularizado, não resistiu às forças ciclópicas da devastação que acabaram por fazê-lo baquear, danificando a estrada e interrompendo o trânsito.

Tudo levou o selo da tormenta. Para qualquer dos lados onde se encaminhem os passos o aspecto de desolação é idêntico. O famoso Pinhal do Rei, propriedade da Casa de Bragança, mais parece em determinados pontos árida charneca onde tivessem ido embater e repousar os destroços de imensa borrasca, do que, a mata opulenta que era orgulho da região e amparo de pobres. Nas freguesias de Freixianda, Ceissa, Atouguia, Olival, etc., onde existem grandes massas de pinhais, os estragos atingiram proporções incalculáveis. Na Fátima, Alburitel, na antiga Vila de Ourém e noutros pontos altos, os destroços em edificações foi também desanimador. Na sede do concelho os prejuízos em edifícios públicos e particulares atingiram igualmente certa importância. No Hospital de Santo Agostinho o telhado ficou, em parte, completamente “migado” e a torre do aeromotor que abastece de água aquela instituição de caridade e a Casa da Criança que funciona no mesmo edifício, dobrou-se em ângulo recto sobre o próprio eixo indo a cabeça do “moinho” cravar-se no telhado da casa mortuária que lhe fica próxima. O pavor atingiu o auge entre os doentes internados no Hospital quando a impetuosidade do vento ou qualquer força sísmica chegou a provocar no edifício – apesar da sua magnífica solidez – oscilações que fizeram rodar algumas camas dos seus lugares. Enfim, um rosário de pavores e de prejuízos.

Sabemos que o Governo não tem descurado um momento o estudo do problema que se apresenta a seus olhos; fazer desaparecer na medida do possível os efeitos do temporal. As outras terras do País onde esses efeitos foram bem mais terríveis, a que portanto mais urgia acudir, já sentiram a estas horas o carinho da sua acção. E na nossa Vila, ainda há dias, funcionários que aqui vieram propositadamente encarregados desse serviço, andaram inquirindo dos principais estragos ocorridos em edifícios de utilidade pública, afim de certamente lhes ser prestado o auxílio oficial. Quanto aos prejuízos particulares, o Governo não faltará naturalmente com a assistência de medidas tendentes a atenuar os seus graves efeitos evitando assim a sua repercussão na economia do País.

Confiemos pois na acção de quem tantas e tão sobejas provas tem dado da sua competência em emergências difíceis.

No “Noticias de Ourém” a 23/02/1941.

Justa Homenagem

Em Vila Nova de Ourém

JUSTA HOMENAGEM

a António Pereira Afonso – um desportista de 54 anos

No dia 1 de Julho, em Vila Nova de Ourém, vai realizar-se uma festa de homenagem não só justa mas merecedora do maior realce. É a um homem, nascido em 1908, que ainda hoje é o maior, o mais representativo desportista do seu concelho.

António Pereira Afonso começou a praticar o basquetebol em 1930, foi campeão regional em 1935-36 e seleccionado para o “cinco” representativo de Leiria nos jogos que ao tempo Leiria, Lisboa, Santarém, Coimbra disputavam entre si. Homem que, mesmo nos períodos de marasmo, quando a Associação de Leiria deixou de existir, quando todos desistiram, nunca parou de praticar, em jogos oficiosos, particulares, noutras modalidades, sempre um homem dado ao desporto. Hoje, aos 54 anos de idade, é o capitão da equipa da sua terra, que está disputando o merecido torneio da Associação de Basquete de Leiria.

Atleta de uma compleição física admirável (mais de 1,90m), possuidor de uma habilidade e técnica apreciáveis, foi sempre (e continua a ser) o adversário mais perigoso, mais marcado, mas o adversário mais leal, o camarada mais compreensivo, o desportista mais esclarecido.

É este homem, exemplo de desportista, até quando e onde não há desporto, que vai ser homenageado. Para ele, de quem os amigos e tantas camadas de companheiros de prática (de avós a netos) conhecem a modéstia e a lhaneza, a homenagem parece estranha e perguntará porquê, “só fiz e continuo a fazer o que me dá prazer, só procuro que outros sintam esse mesmo prazer”, porquê? Pois deve-se-lhe responder que é por isso mesmo, e que à homenagem se junta o agradecimento por tão belo exemplo.

No “Mundo Desportivo” a 27/06/1962.

2005/09/10

Homenagem a António Afonso

Os principais actos previstos para a homenagem a prestar ao Sr. António Pereira Afonso devem ser um desafio de basquetebol entre a Associação Regional da modalidade e um grupo de antigos companheiros desportistas do homenageado; no decorrer deste encontro – no Campo de jogos do Atlético – além do elogio público do homenageado e da entrega de galardões com que diversas associações o vão honrar, será oferecido um artístico álbum com evocações da actividade desportiva, artística e associativa deste nosso querido amigo, e assinaturas de todas as pessoas que queiram associar-se. Para esse efeito vão ser postas no Café Avenida, e nos Cafés Central, Ourém e Restaurante Parreirinha algumas páginas do álbum.

À noite, a encerrar, haverá por inscrição, jantar de confraternização.

No “Noticias de Ourém” a 24/06/1962

Um Homem fora de série...

O “Toná”. Ia perguntar se o conhecem mas reconheci a tempo que a pergunta era descabida. Haverá porventura alguém, em Ourém e arredores, que não conheça o homem que marca sempre presença activa em todas as organizações ourienses? Cremos que não.

Por isso mesmo não valeria a pena falar dele se não fosse a circunstância de pretendermos dar o nosso aplauso e contributo à iniciativa posta em execução, duma festa em sua homenagem a realizar no próximo dia 1de Julho.

Tivemos disso conhecimento há dias, e queremos dizer aqui que poucas se tem oferecido que melhor se justifiquem.

A sua modéstia e simplicidade não deixam que as suas múltiplas actividades a favor da nossa Terra se tornem notadas até porque não é para isso que as pratica, mas os amigos que de perto o conhecem e o têm acompanhado, sabem como ele está sempre pronto a iniciar ou a colaborar em todas as iniciativas que de qualquer modo possam engrandecer a nossa e a sua Ourém.

Que o digam os Bombeiros, a Banda, o basquete; as janelas floridas; as ornamentações para as festas que na vila de vez em quando se realizam, e tantas outras coisas em que está sempre presente.

Este é o “Toná” de ontem, de hoje e de sempre. Por isso mesmo a homenagem é justa e até útil: reconhece o muito que ele tem, feito por Ourém e serve de estímulo para o muito que ainda esperamos dele.

Lisboa, Junho de 1962.

Joaquim Ribeiro

No “Noticias de Ourém” a 24/06/1962

2005/09/09

Fotografias do Toná - II







«APENAS» COM 54 ANOS!...



«APENAS» COM 54 ANOS!...

"AINDA ESTE ANO ALINHEI EM TODOS OS JOGOS"

revelou António Pereira Afonso, basquetebolista de Vila Nova de Ourém


De pé, ao centro, está António Pereira Afonso, que, de rara vitalidade, ainda joga basquetebol com uma idade superior a 50 anos.

Um grupo de amigos de António Pereira Afonso, antigo basquetebolista do Atlético Clube Ouriense, clube que ainda há pouco representou, no Torneio da Associação de Basquetebol de Leiria, vai homenageá-lo no próximo dia 1 de Julho.

Quisemos, por isso, ouvir o exemplar desportista conhecido nos meios desportivos de Vila Nova de Ourém, por “António Á”.

- Conte-nos algo da sua carreira – pedimos nós.

E António P. Afonso começou:

- Nasci a 10 de Junho de 1910 e iniciei a vida de basquetebolista em 1931, sob a direcção do Dr. Inácio Sequeira Nazaré, pela então Secção Desportiva dos Bombeiros de Vila Nova de Ourém, campeão regional em 1934-35 e 1935-36. Acabada esta secção, joguei uma época no Ginásio Sportivo Liz. Tendo também acabado a Associação de Leiria, sempre pratiquei a modalidade em desafios particulares, voltando depois às provas oficiais, em que ainda entrei este ano, alinhando em todos os jogos.

- Só praticou basquetebol?

- Fiz também futebol, atletismo e ciclismo.

- Conte-nos um episódio da sua longa carreira…

- Uma vez em Santarém, num jogo contra a selecção desta cidade, fiquei fortemente contundido numa vista. Chorei como uma criança pois fazia parte da Banda de Música que à noite dava concerto e eu não queria faltar. E não faltei, apesar da lesão!

“António Á” revelou-nos então o programa da sua festa, que terá início às 17horas do próximo dia 1, no campo do Atlético Ouriense: desafios entre Velha Guarda de Leiria e de V. N. Ourém, e também entre as equipas do Ateneu de Leiria e do Atlético Ouriense para disputa da Taça com o nome do homenageado.

No intervalo António Afonso será homenageado peta Federação de Basquetebol e Associação de Basquetebol de Leiria, fazendo o elogio do dedicado atleta o Sr. Dr. Sérgio Ribeiro, vice-presidente da Associação de Atletismo de Lisboa.

No “Record” a 23/06/1962.

2005/09/08

Um Homem modesto

Servindo os melhores interesses da terra vai ser homenageado.

Cada indivíduo, cada um de nós vive ou deve viver realizando-se e cooperando na realidade dos outros.

Por outras palavras: Ninguém deve ter nascido sem a força moral de vir a melhorar-se e de ajudar a melhorar os outros. Diria ainda: Cada homem sente urgência de adquirir para o seu património espiritual certos valores morais que lhe serão sempre mais caros que a riqueza, mais caros que todas e quaisquer aquisições materiais.

Este sentimento, esta noção de necessidade de melhoria individual sugere-nos e parece pressupor uma sociedade perfeita, uma sociedade regida por leia justas, por relações humanas sem violências nem traições uma sociedade onde muito naturalmente os seres serão caridosos, justos, fraternos e pacientes sem deixarem de ser muito diferentes uns dos outros.

Parecera que, efectivamente, só numa sociedade perfeita a disciplina pessoal, a educação, a instrução e o esclarecimento de todos podem resolver, no homem, a transcendência da equação divina que, eu creio, nos marca a existência.

Parecerá que, efectivamente, os problemas do destino humano se podem compreender nesse quadro. No entanto, porém, bem sabemos que as coisas são mais simples, mais naturais, mais fáceis, e que o verdadeiro destino do homem não é bem, não é bem verdadeiramente o de um lugar numa sociedade perfeita, nem tão pouco se destina sequer a consegui-la, ou a realizar-se, só, por meio dela.

O destino de cada um de nós nora antes o de – sem utopias sem cedências – “AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO.”

Estas as observações que me ocorrem ao pretender referir-me à razão de ser da homenagem que Ourém vai render ao senhor António Afonso.

Na verdade, sem cultura especial, quase sem diplomas de instrução, o António Afonso soube encontrar nas mil tarefas de cada dia, como nas suas tão diversas relações com as autoridades do concelho, com o público, com os seus colegas das associações a que pertenceu ou pertence ainda, uma existência invulgar, totalmente baseada na compreensão e no respeito do direito dos outros, dando-se a todos e a tudo com elevação, com dignidade, com simplicidade, com franqueza e dedicação de tal modo, que vem a ser sempre, sem invejas ou afectações, um dos primeiros onde quer que aparece.

Ora o António Afonso não precisou, – é essa a grande lição e o grande mérito do “Toná” – não precisou de viver numa sociedade perfeita: - antes tem vivido para a aperfeiçoar, para a melhorar, querendo a todos como a irmãos, realizando-se e ajudando carinhosamente a elevar a realidade dos outros. Ele que, oficialmente, mal possui a 4.ª classe, melhorou-se e instruiu-se, ajudando, ainda, a melhorar e a instruir os outros!

E essa modesta lição de verdadeiro sentido e compreensão humanos que Ourém vai destacar na homenagem que lhe vai ser prestada no próximo dia 1 de Julho, homenagem simples, como não pode deixar de ser, e cuja descrição será feita no próximo número do “Noticias de Ourém”, a fim de que todos quantos quiserem associar-se possam ter o prazer de realizar os seus desejos.

José Galamba

No “Noticias de Ourém” a 17/06/1962.

Fotografias do Toná - I


2005/09/06

Homenagem a António Á

A homenagem ao desportista António Á teve lugar no passado domingo na sede dos Bombeiros Voluntários.

Esta homenagem, de iniciativa da Direcção dos Bombeiros juntou um considerável número de pessoas que assim quiseram demonstrar em quanto apreço têm o homenageado não só pelas qualidades morais mas ainda pelo seu espírito de bombeiro e de desportista que tantas vezes soube defender com honra as cores do seu Clube que afinal são as da sua terra.

A esta homenagem deu o seu concurso o Grupo Desportivo da Maceira-Liz, enviando a esta Vila um grupo de basquete que amigavelmente efectuou um desafio com o grupo actual dos Bombeiros, tendo saído vencedor por 41-21 e ainda um grupo de antigos jogadores de basquete, de Leiria, que, recordam velhos tempos, realizou um desafio com os antigos dos bombeiros, do qual fazia parte o homenageado, tendo o resultado sido de 12-12.

Na sessão usaram da palavra, primeiro, o Senhor Barros e Bastos Vice-Presidente dos Bombeiros, em exercício, que enalteceu as qualidades de António Á focando o seu comportamento como bombeiro, comportamento exemplar, que, em todas as circunstâncias, tanto em representação de Ourém, como em serviço dos mais arriscados, tem sido louvado pelos seus superiores. Enaltecendo as qualidades morais e desportistas do homenageado usaram da palavra primeiro um representante do grupo da Maceira-Liz e de seguida um representante dos antigos jogadores de Leiria que recordou as competições de outros tempos sempre disputadas de parte a parte com verdadeiro espírito desportivo.

Agradeceu comovidamente António Á a homenagem da qual não se julgava merecedor – disse – pois nunca fez mais do que cumprir sempre o seu dever. E no meio de vivas terminou a pequena mas significativa festa, à qual a Secção Desportiva do “Notícias de Ourém” se associa por ser prestada ao mais antigo e também correcto desportista de Vila Nova de Ourém, merecedor das simpatias de todos os Ourienses.

Ao homenageado foram oferecidas diversas recordações comemorando a data e constituídas por objectos da arte. Antes da sessão tiveram lugar dois desafios de basquete. O primeiro entre o Grupo Desportivo da Maceira-Liz e o Grupo Desportivo dos Bombeiros Voluntários, saindo vencedor o primeiro por 41 – 21 o que traduz a sua superioridade técnica, desportiva e de resistência em face dum vencido que não conhece treinos.

O segundo desafio pôs, frente a frente, os jogadores que há anos foram o furor do basquete na região.
Pelos locais alinharam: António Á (10), Joaquim Baptista, António Melo, V. Hugo (2), Felipe, Mariano, José Alho e Mário.
Pelos de Leiria: Lindinho, Quiné (2), Fabião (4), Rijo (4) e Ramalho (2).

O resultado ficou em 12-12 e no intervalo foram oferecidos a António Á ramos de flores e foram-lhe manifestadas diversas provas de simpatia que o homenageado agradeceu comovido.

RE-PORTER

No “Noticias de Ourém” a 07/05/1950.

2005/09/05

Programa da Homenagem Toná - II


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Programa da Homenagem Toná - I


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